1.
A Mulher Brasileira

 
 
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A população brasileira somou 205,5 milhões de pessoas em 2016 conforme indicam as projeções da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continuada do IBGE (PNADC). Havia nesse ano 105,9 milhões de mulheres e 99,6 milhões de homens, o que representou respectivamente 51,5% e 48,5% da população brasileira. A população feminina brasileira tem características próprias e por vezes distintas das apresentadas pela população masculina. Para traçar um perfil da mulher brasileira, este capítulo do estudo descreve as características da população feminina brasileira.

 
 
 

Distribuição Espacial

 
 
 

As mulheres brasileiras moravam, em sua grande maioria, nas cidades. Do total de 105,9 milhões de mulheres, 91,6 milhões (ou 86,5%) residiam em áreas urbanas. As áreas rurais do país abrigaram uma população feminina de 14,3 milhões de pessoas, menor que a população masculina de 15,6 milhões de habitantes.

Gráfico 1.1
Distribuição da população brasileira por gênero, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Gráfico 1.2
Distribuição da população por situação do domicílio e gênero, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.


Em 2016, 24,5% das mulheres brasileiras moravam nas capitais dos estados e no Distrito Federal. Isso equivaleu a uma população de 25,9 milhões de pessoas. Considerando as moradoras de outros municípios das regiões metropolitanas, chega-se a uma estimativa de 43,1 milhões de mulheres (40,7% do total) habitando nas áreas metropolitanas do Brasil. As demais 62,3 milhões de mulheres (59,3% do total) moravam nos municípios do interior dos estados.

Gráfico 1.3
Local do domicílio, população feminina, 2016

Fonte: IBGE, 2017. (*) Exceto capital. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. (*) Exceto capital. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Segundo as estimativas do IBGE, a região Sudeste do país abrigava cerca de 44,8 milhões de mulheres em 2016, o que correspondeu a 42,3% do total de mulheres no país. Nessa região estavam os estados com as três maiores populações femininas do país: São Paulo, com 23,3 milhões de mulheres, Minas Gerais, com 10,8 milhões e Rio de Janeiro, com 8,7 milhões. Considerando apenas as áreas urbanas, a população feminina do Sudeste brasileiro alcançou quase 42 milhões de pessoas, o que equivaleu a 45,8% do total de mulheres no país morando em áreas urbanas. Considerando apenas as áreas rurais, a população feminina do Sudeste brasileiro somou apenas 2,8 milhões de mulheres, o que equivaleu a apenas 19,5% do total nacional morando em áreas rurais.

A região com a segunda maior população feminina foi o Nordeste, com 29,4 milhões de mulheres, ou 27,8% do total. Nessa região, os pesos das áreas urbana e rural se invertem. As nordestinas morando em áreas urbanas somaram 22,4 milhões de pessoas, o que correspondeu a apenas 24,4% do total de mulheres morando em áreas urbanas no país. As que moravam em áreas rurais alcançaram um contingente de 7 milhões de pessoas, o que correspondeu a quase a metade da população rural feminina do país.

As regiões Sul, Norte e Centro-Oeste responderam por respectivamente 14,3%, 8,2% e 7,5% da população feminina do país em 2016. Os pesos das populações femininas urbanas eram relativamente maiores nas regiões Centro-Oeste e Sul. No Norte, o peso da população feminina urbana era menor em termos relativos.

As participações das mulheres no total das populações dos estados brasileiros flutuaram pouco: a Paraíba respondeu pela maior participação das mulheres na população (52,8%) e Rondônia respondeu pela menor participação (49,9%). Nas áreas rurais, contudo, havia uma variação maior das taxas de participação das mulheres nas populações. Enquanto no Amazonas, apenas 44,4% da população rural era composta por mulheres, no estado da Paraíba, esse percentual alcançou 50% em 2016.

 
 
 

Distribuição Etária

 
 
 

Das 105,9 milhões de mulheres brasileiras, 20,5 milhões eram crianças e jovens de até 14 anos de idade, o que correspondeu a 19,4% do total de mulheres em 2016. As mulheres com idade entre 15 e 29 anos responderam por 22,8% da população feminina. A grande concentração ocorreu no grupo de mulheres com idade entre 30 e 59 anos, que somou uma população de 44,6 milhões de pessoas (42,1% do total). As mulheres com mais de 60 anos representaram 15,6% da população feminina do país em 2016.

Mapa 1.1
Distribuição espacial das mulheres, em milhões de pessoas, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

É importante notar que a população feminina brasileira se concentrava em faixas etárias mais elevadas que a população masculina. Em 2016, a população masculina excedeu a população feminina até a faixa etária de 15 a 19 anos de idade. A partir dessa faixa, as mulheres passaram a representar mais de 50% da população, chegando a alcançar participação superior a 70% em idades superiores a 95 anos.

Gráfico 1.4
Pirâmide etária por gênero, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

As mulheres brasileiras tinham uma longevidade maior que a dos homens e por consequência, uma idade média também maior. Em 2016, segundo dados da PNADC, a idade média da população feminina foi de 35,7 anos, ao passo que a da população masculina de apenas 33,6 anos. Isso indica que as mulheres tinham, em média, 2,1 anos de idade a mais que os homens brasileiros.

As mulheres que habitavam o meio urbano tinham idade média mais elevada que as moradoras de áreas rurais: 36,1 anos contra 33,4 anos em 2016. Nas capitais dos estados brasileiros, a idade média era ainda maior (37,3 anos).

Tabela 1.1
Idade média por gênero e área, em anos, 2016

MulheresHomensMédia
Urbano36,133,734,9
Rural33,433,333,4
Média35,733,634,7

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

 
 
 

Educação

 
 
 

Segundo os dados da PNADC de 2016, 91,5 milhões declararam que sabiam ler e escrever, o que representou 91,9% dos 99,6 milhões de mulheres respondentes. A despeito disso, ainda era relativamente lento o avanço dessa população na educação. Até 2016, apenas 55,6 milhões de mulheres havia completado o ensino fundamental, o que equivalia a 55,9% do total de 99,6 milhões de mulheres com 5 anos ou mais de idade no país. A percentagem de mulheres que concluíram o ensino médio era ainda menor, de 40,9%. A população feminina com ensino superior completo era de 12,6 milhões em 2016, o que correspondeu a 12,6% da população feminina que respondeu à pesquisa.

Gráfico 1.5
Grau de instrução por gênero, em (%) da população, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Na comparação com os homens, as mulheres apresentaram maiores índices educacionais. O número de homens analfabetos foi de 8,4 milhões ao passo que apenas 8,1 milhões de mulheres declararam não saber ler e escrever. O número de homens que completaram o ensino fundamental foi de 48,2 milhões, enquanto que entre as mulheres havia 55,6 milhões com esse título. A diferença de educação a favor das mulheres cresceu ainda mais quando se compararam os números de pessoas que alcançaram o diploma de ensino médio: 33,3 milhões de homens contra 40,7 milhões de mulheres. O número de mulheres que completou o ensino superior (12,6 milhões) também é maior que o número de homens com esse título (8,8 milhões).

 

Essa diferença entre gêneros está associada ao perfil das gerações.

Olhando apenas para a população jovem, de 5 a 19 anos, percebe-se que as percentagens de homens e de mulheres que frequentavam escola em 2016 estavam próximas, sendo ligeiramente superior na população masculina: 66,4% (homens) contra 65,1% (mulheres). Para as pessoas com 60 anos de idade ou mais, as participações dos indivíduos sem o ensino fundamental completo no total das populações de homens e de mulheres estavam bastante próximas. O mesmo ocorreu quando as frequências de homens sem diploma do ensino médio são comparadas com a de mulheres nessa condição.

Portanto, a distinção de escolaridade entre homens e mulheres está concentrada nos grupos etários de 20 a 59 anos, ou seja, na população que que nasceu entre 1957 e 1996 e, portanto, já era adulta em 2016. Para a população com idade entre 20 e 29 anos, por exemplo, a frequência relativa de homens sem o ensino médio completo foi de 39,2% em 2016. No mesmo ano, a frequência relativa de mulheres nessa condição era de apenas 28,6%, indicando uma diferença de mais de 10 pontos percentuais entre os dois grupos. Isso indica que as mulheres nascidas entre 1987 e 1996 atingiram níveis educacionais maiores.

Os dados da PNADC apontam que em 2016, 25,4 milhões de mulheres estavam frequentando algum curso regular. Considerando o total de mulheres em idade escolar (acima de 5 anos), a taxa de matrícula atingiu 25,5%. Isso equivale a dizer que uma em cada quatro mulheres estava estudando na ocasião da pesquisa. Nos homens a taxa de matrícula foi de 27,2%, quase dois pontos percentuais acima do das mulheres.

 
 
 

Raça

 
 
 

Em 2016, cerca de 8,5 milhões de brasileiras se autodeclararam pretas, o que correspondeu a 8% da população feminina do Brasil. 48,7 milhões de brasileiras se autodeclaram pardas (46,0% do total) e 47,8 milhões de mulheres se autodeclaram brancas (45,1% do total). A população feminina autodeclarada amarela alcançou 710,7 mil pessoas (0,7% do total) e a autodeclarada indígena, 272,1 mil pessoas (0,3% do total).

É importante observar que as populações masculinas autodeclaradas pretas e pardas são relativamente maiores que as femininas. Em contrapartida, a população autodeclarada branca é menor entre os homens do que entre as mulheres.

Gráfico 1.6
Distribuição da população por raça, 2016

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Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Outra diferença importante no diz respeito à raça era a idade média dos grupos populacionais. A idade média das mulheres autodeclaradas pardas (33,5 anos) era significativamente menor que as idades médias das autodeclaradas brancas (37,6 anos) ou pretas (37,2 anos). As mulheres autodeclaradas amarelas tinham a maior idade média entre os grupos: 44 anos de idade. As mulheres indígenas tinham em média 35,5 anos de idade. Algo semelhante ocorreu com a população masculina, para a qual as idades médias entre os autodeclarados pardos (31,9 anos) e entre os autodeclarados indígenas (31,7 anos) eram ainda menores que as dos homens autodeclarados brancos (35,1 anos) e negros (34,9 anos).

Gráfico 1.7
Idade média das mulheres, por raça, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

A escolaridade das mulheres autodeclaradas amarelas e brancas são significativamente maiores que as das mulheres autodeclaradas pretas e pardas. Enquanto as taxas de analfabetismo ficam abaixo de 10% nos dois primeiros grupos, na população negra e parda as taxas eram de 13,2% e 14,4% em 2016. Entre as mulheres autodeclaradas indígenas, a taxa de analfabetismo aproximou-se de 20%. Por outro lado, as frequências de mulheres com curso superior completo são expressivamente maiores nos grupos de mulheres autodeclaradas amarelas (31,5%) e brancas (18,6%) do que as dos grupos de autodeclaradas pretas (7,6%) e pardas (7,3%).

Gráfico 1.8
Grau de instrução das mulheres, por raça, em (%) da população, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

 
 
 

Responsabilidades

 
 
 

Em 2016, os dados da PNADC indicam que 28,7 milhões de mulheres eram as pessoas responsáveis do domicílio, ou seja, aquelas que chefiavam os lares. Assim, as mulheres chefiaram 41,4% das moradias no país. A taxa média de chefia, que é a razão entre o número de mulheres responsáveis do domicílio e o total de mulheres, alcançou 27,1% nesse ano. Vale mencionar que a taxa de chefia foi mais elevada entre as mulheres autodeclaradas pretas (35,1%), amarelas (32,4%) e indígenas (32,2%). As mulheres autodeclaradas brancas e pardas registraram taxas de chefia de, respectivamente, 26,6% e 26,1%.

Gráfico 1.9
Chefes de domicílio por gênero, (%) do total

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Gráfico 1.10
Taxa de chefia das mulheres, por gênero, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.


Aproximadamente 30% das mulheres com mais de 15 anos de idade tinham filhos ou enteados menores morando em suas casas. Essas mulheres totalizaram um contingente de 25,7 milhões de mães que auxiliavam nos cuidados de 42,4 milhões de filhos ou enteados menores. Isso equivaleu a uma média de 1,65 filho ou enteado por mãe. No meio rural, essa média foi ainda maior: 1,87 filho ou enteado por mãe. Acrescentando o contingente de 5,3 milhões de avós que moravam com seus netos ou bisnetos, chega-se a um contingente de quase 30 milhões de mulheres que dividiam seu tempo como estudantes, trabalhadoras, donas de casa ou aposentadas com os cuidados de filhos, enteados, netos e bisnetos.

Gráfico 1.11
Frequência de mães* por raça, entre as mulheres pertencentes ao grupo de pobreza

Fonte: IBGE, 2017.(*) com filhos menores de idade. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017.(*) com filhos menores de idade. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

A PNADC de 2016 registrou pela primeira vez a dedicação dos brasileiros a cuidados com pessoas e a trabalhos domésticos e o tempo gasto nessas atividades na população com mais de 5 anos de idade. Os dados indicam que 28,1% das mulheres brasileiras declararam ter se dedicado ao cuidado de pessoas que moravam na mesma casa. Os cuidados envolveram o auxílio na saúde, educação, transporte ou lazer de crianças, idosos, enfermos ou pessoas com necessidades especiais. Além dos moradores, 3,6% das mulheres com 5 anos ou mais de idade declararam ter se dedicado ao cuidado de parentes que moravam em outro lugar. Essas taxas foram significativamente maiores que as de homens com dedicação a cuidados pessoais.

Gráfico 1.12
Dedicação a cuidados e trabalhos domésticos, mulheres com e sem filhos, em horas/semana

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Houve também uma dedicação elevada a trabalhos domésticos, os quais envolvem atividades de: cozinhar, servir e lavar louça; cuidar da limpeza ou manutenção de roupas e sapatos; fazer pequenos reparos ou manutenção do domicílio, do automóvel, de eletrodomésticos ou outros equipamentos; limpar ou arrumar o domicílio, a garagem, o quintal ou o jardim; cuidar da organização do domicílio (pagar contas, contratar serviços, orientar empregados etc.); fazer compras ou pesquisar preços de bens para o domicílio; e cuidar dos animais domésticos. Segundo a PNADC, 83,3% das mulheres brasileiras com mais de 5 anos de idade declaram ter se dedicado a trabalhos domésticos na própria moradia e 2,5%, nas casas de parentes. Na população masculina, essas frequências foram bem menores: de respectivamente 65,5% e 0,7%.

Tabela 1.2
Frequência de pessoas que têm atividades domésticas e de cuidados pessoais, por gênero e local, 2016

OndeTipo de auxílioHomensMulheresMédia
Em casaCuidados pessoais19,0%28,1%23,7%
Em casaServiços domésticos65,5%83,3%74,7%
Na casa de parentesCuidados pessoais1,4%3,6%2,5%
Na casa de parentesServiços domésticos0,7%2,5%1,6%

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Vale ressaltar que o tempo médio dedicado a cuidados pessoais e trabalhos domésticos realizados em casa ou nas moradias de parentes foi maior entre as mulheres do que entre os homens. Em média, as mulheres ocuparam 20,0 horas por semana nessas atividades, enquanto que os homens dedicaram apenas 10,7 horas por semana. A maior frequência de mulheres com dedicação a essas atividades e o maior tempo de dedicação resultaram numa distribuição bastante desigual: 71,5% do tempo total dedicado a cuidados pessoais e trabalhos domésticos realizados em casa ou nas moradias de parentes foi de incumbência das mulheres brasileiras e apenas 28,5%, dos homens.

Outro dado revelado pela pesquisa do IBGE foi a sobrecarga maior sobre as mães e avós. Considerando apenas mães com filhos menores de idade, o tempo dedicado a essas atividades alcançou 24,7 horas na semana em média. As mães mais novas, que tinham filhos em média também mais novos, dedicavam um tempo maior aos cuidados com pessoas e atividades domésticas – no caso de mães com idade entre 15 e 19 anos, o tempo dedicado a cuidados e trabalhos domésticos chegou a 28,8 horas na semana em média. As mulheres com mais de 14 anos de idade, mas sem filhos menores de idade, por outro lado, dedicaram um tempo menor: 14,9 horas na semana em média.

 
 
 

Mercado de trabalho

 
 
 

Além de chefes do domicílio, mães ou avós que destinam horas ao cuidado de membros das famílias, as mulheres tiveram uma elevada dedicação no mercado de trabalho. Segundo os dados da PNADC de 2016, havia 86,9 milhões de brasileiras com mais de 14 anos de idade. Dessas mulheres, 45,2 milhões faziam parte da força de trabalho (52,0% do total). Desse grupo, 86,9%, ou 39,3 milhões de mulheres, estavam ocupadas e 13,1%, ou 5,9 milhões de mulheres, estavam desocupadas. Dos 41,7 milhões de mulheres que estavam fora da força de trabalho, vale observar que havia 4 milhões de pessoas que potencialmente poderiam pertencer à força de trabalho. Isso significa que a força de trabalho feminina tinha um potencial de aumento de quase 9% sem a necessidade de haver crescimento demográfico.

Tabela 1.3
Pessoas na força de trabalho, por gênero e situação, 2016

HomensMulheresMédia
Na força de trabalhoOcupados51.937.45739.254.01491.191.470
Na força de trabalhoDesocupados5.924.2955.930.80811.855.103
Na força de trabalhoSubtotal57.861.75145.184.821103.046.573
Fora da força de trabalhoCom potencial2.427.0684.001.4626.428.531
Fora da força de trabalhoSem potencial19.511.50837.725.40957.236.917
Fora da força de trabalhoSubtotal21.398.57641.726.87263.665.448
Total79.800.32886.911.693166.712.021

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

A situação dos homens no mercado de trabalho era bastante distinta. Dos homens com mais de 14 anos de idade em 2016, 72,5% pertenciam à força de trabalho, o que equivalia a 57,9 milhões de pessoas. Desse grupo, 51,9 milhões de homens estavam ocupados, indicando uma taxa de desocupação de apenas 10,2%; um valor menor, portanto, que o da taxa de desocupação na população feminina (13,1%). O número de homens fora da força de trabalho, mas com potencial de trabalhar, era de 2,4 milhões, valor menor que o das mulheres.

Esses fatos explicam porque as mulheres representavam apenas 43,8% da força de trabalho total do país e 43,0% das pessoas ocupadas (homens e mulheres). Também justifica porque havia uma tendência de aumento de participação das mulheres na força de trabalho brasileira: 62,2% da força de trabalho que poderia passar a integrar a mão de obra em curto espaço de tempo era do sexo feminino.

Do ponto de vista regional, vale observar que no Centro-Oeste, Sul e Sudeste do país, as parcelas das mulheres que pertenciam à força de trabalho variou entre 55,0% e 56,0% das populações femininas de cada região. Nas regiões Nordeste e Norte, essas participações eram menores: 44,7% e 49,4% das mulheres. Algo semelhante ocorreu quando se observa a taxa de ocupação, que foi maior nas mulheres das regiões Sul (91,1%), Centro-Oeste (88,4%) e Sudeste (86,5%).

Mapa 1.2
Distribuição regional das mulheres ocupadas, em milhões de pessoas,2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Das mulheres ocupadas na economia brasileira em 2016, 43,1% (16,9 milhões) eram empregadas em empresas do setor privado, 19,0% (7,5 milhões) eram trabalhadoras por conta-própria e 16,4% (6,4 milhões) eram funcionárias no serviço público (incluindo as atividades na administração, na saúde e na educação). Havia apenas 1,3 milhão de mulheres empresárias ou empreendedoras (3,3% do total de mulheres na força de trabalho), o que representou apenas 30% de todos os empregadores no país (homens ou mulheres).

Gráfico 1.13
Distribuição das mulheres ocupadas por situação de ocupação, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Vale mencionar as participações elevadas de trabalhadoras domésticas e trabalhadoras auxiliares da família na força de trabalho feminina. Em 2016, 5,7 milhões de mulheres exerciam trabalhos domésticos (14,5% do total de mulheres ocupadas) e 1,4 milhão de mulheres exerceram atividades auxiliares da família (3,6% do total de mulheres ocupadas). Essas participações na força de trabalho masculina foram significativamente menores, de 0,9% e 1,5%, respectivamente.

Considerando a distribuição das mulheres ocupadas por setor econômico, nota-se forte concentração nas atividades de serviços privados (25,2%), educacionais e de cuidados com a saúde (20,4%), comerciais (18,9%) e industriais (10,1%). No total das ocupações nesses setores (de homens e de mulheres), as participações das mulheres eram relativamente elevadas: serviços privados (41,8%), educação e saúde (76,1%), comerciais (42,2%) e industriais (34,5%). Nos serviços domésticos, a participação das mulheres no total da força de trabalho ocupada superou 90% em 2016.

Gráfico 1.14
Distribuição das mulheres ocupadas por setor de atividade econômica, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Conforme apontam os dados da PNADC de 2016, a maior parte das mulheres trabalhou com uma jornada entre 40 e 44 horas na semana. Houve também uma parcela elevada (28,3% do total de mulheres) que trabalhou em jornadas menores, de 15 a 39 horas na semana. Na média, as mulheres acabaram tendo uma jornada média de trabalho em atividades laborais menores em relação à dos homens, o que, em parte, se deveu à maior dedicação a atividades domésticas e aos cuidados com pessoas.

Em 2016, a remuneração média do trabalho das mulheres foi de R$ 1.826,35. As mulheres com jornada de mais de 49 horas na semana alcançaram remuneração maior, de R$ 3.048,41. Em termos setoriais, a maior remuneração média foi obtida nas empresas da construção (R$ 3.521,64), onde há uma pequena quantidade de mulheres empregadas, mas com maior predominância de cargos com nível técnico elevado (engenharia e arquitetura). No serviço público, segmento em que é elevada a participação de mulheres na força de trabalho, a remuneração das mulheres foi de R$ 3.452,91 e nas atividades de educação e saúde, de R$ 2.576,03.

Vale observar que, para praticamente todos os segmentos de atividade e jornadas de trabalho, as mulheres receberam valores inferiores aos dos trabalhadores do sexo masculino. Em média, a diferença foi de 22,9% a menos para as mulheres, sugerindo a ocorrência de forte desigualdade de gênero no mercado de trabalho. Esse ponto será analisado em maior detalhe no Capítulo 4 do relatório.

Gráfico 1.15
Distribuição das pessoas ocupadas por jornada de trabalho semanal, homens e mulheres, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

 
 
 

Pobreza

 
 
 

A desigualdade de gênero se soma a outras características do país na formação de uma sociedade com elevados níveis de pobreza. Para estimar o número e o perfil das mulheres pobres, adotou-se o critério de classe social relativo, o qual é empregado em boa parte da literatura sobre o tema e que norteia as políticas sociais em uma parcela considerável de países. Esse critério estabelece classes com base na renda per capita das moradias. São consideradas 5 classes econômicas, cada uma abrigando 20% das famílias brasileiras. Na primeira classe, estão as famílias e pessoas mais pobres que, no caso do Brasil, tinham uma renda domiciliar per capita inferior a R$ 325,00 por mês em 2016. Isso equivalia a uma renda de R$ 10,68 por pessoa por dia.

Mapa 1.3
Número de mulheres abaixo da linha de pobreza, em milhões de pessoas, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Com base nesse critério, estima-se que havia 21,325 milhões de mulheres e 20,028 milhões de homens abaixo da pobreza, totalizando 40,353 milhões de pobres em 2016. Isso significa que a participação das mulheres nos pobres brasileiros era maior que a dos homens: 51,6% contra 48,4%, respectivamente. Quase 60% da população feminina na pobreza tinha idade inferior a 29 anos, indicando uma incidência maior entre as jovens brasileiras. De fato, cerca de 34% de todas as mulheres com menos de 14 anos de idade e 30% das mulheres com idade entre 15 e 19 anos pertenciam a famílias na pobreza.

Gráfico 1.16
Distribuição por raça autodeclarada das mulheres abaixo da linha de pobreza, 2016

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Fonte: IBGE, 2017. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

A incidência de mulheres na pobreza é particularmente elevada nas populações de mulheres autodeclaradas pretas, pardas e indígenas. Nesses grupos, estavam quase ¾ das brasileiras em estado de pobreza: 15,766 milhões de um total de 21,325 milhões de mulheres (73,9%). Entre as mulheres pretas, pardas e indígenas em estado de pobreza, a maior parcela (44,3%) era de jovens com menos de 30 anos. A incidência de pobreza nas faixas etárias mais jovens confirma essa tendência: 36,4% das jovens pretas, 42,0% das jovens pardas e 48,5% das jovens indígenas moravam em domicílios abaixo da linha de pobreza em 2016.