Anexo Estatístico

 
 
 

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Anexo Metodológico

 
 
 

1.
Saneamento e morbidade por doenças gastrointestinais infecciosas

A análise dos efeitos do saneamento sobre a incidência de diarreias partiu do cruzamento de informações de afastamento do trabalho por motivos de diarreia e vômito, de acesso a esgoto, de acesso a água tratada e indicadores socioeconômicos. Para calcular esses efeitos, foram empregados os dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 realizada pelo IBGE. Os indicadores socioeconômicos utilizados no modelo econométrico são: informações sobre os indivíduos: (i) gênero e (ii) faixa etária; e informações sobre o domicílio: (iii) material da cobertura, (iv) sistema de coleta de lixo; (v) disponibilidade de geladeira; (vi) unidade da Federação em que o indivíduo mora e (vii) área da moradia (rural ou urbana). 

Utilizou-se um modelo de regressão logística em que a probabilidade de afastamento das atividades por diarreia é uma variável binária com valores (1) para afastamento e (0) para não afastamento. O modelo de regressão logística é descrito pela equação a seguir:

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em que, y representa a variável dependente (probabilidade de afastamento por diarreia), xj são as informações fornecidas pelo conjunto de variáveis explicativas, em que j = 1, 2,..., k são os coeficientes quantificando as relações entre estas variáveis e a variável dependente. G é uma função que assume valores estritamente positivos entre zero e um: 0 < G(z) < 1, para todos os números reais z. Isso garante que as probabilidades estimadas estejam estritamente entre zero e um.

 O modelo estimado para analisar o efeito do saneamento sobre a probabilidade de afastamento das atividades rotineiras por diarreia ou vômito apresentou resultados bastante satisfatórios. Quanto maior a parcela da população com acesso à água tratada e à rede de coleta de esgoto, menor é a probabilidade de afastamento de suas atividades rotineiras por diarreia ou vômito, os coeficientes dessas duas variáveis são apresentados na Tabela A.M.1. As demais variáveis de controle tiveram o sinal esperado e são estatisticamente significativas.

Tabela A.M.1
Regressão de afastamentos por diarreia, Brasil, 2013

CoeficienteErro padrãop-valor
Acesso à água tratada-0,22430,00820,0000
Acesso à rede de esgoto-0,17970,00550,0000

Fonte: Pesquisa Nacional de Saúde 2013 (IBGE, 2015). Nota: Log de Likelihood: 3.300.153,094. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

 

 

2.
Saneamento e dias de afastamento por doenças gastrointestinais infecciosas

A análise dos efeitos do saneamento sobre o número de dias de afastamento por diarreia ou vômito identificou a relação entre o número de dias de afastamentos apontados na PNS e a disponibilidade de saneamento (acesso adequado à água e à coleta de esgoto), controlando por um conjunto amplo de variáveis. O banco de dados utilizado foi a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 realizada pelo IBGE e as variáveis de controle foram: (i) gênero; (ii) faixa etária; (iii) material da cobertura do domicílio; (iv) sistema de coleta de lixo; (v) disponibilidade de geladeira; (vi) unidade da Federação em que o indivíduo mora; (vii) área da moradia (rural ou urbana); e (viii) local de residência (capital, regiões metropolitanas ou interior).

O modelo econométrico utilizado foi do tipo Poisson. Esse tipo de modelo é usado quando a variável dependente é uma variável de contagem, no caso, número de dias de afastamento (1, 2, 3 etc.). Essa técnica consiste em modelar o valor esperado como uma função exponencial de acordo com a equação a seguir:

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Como exp(.) é sempre positivo, a equação garante que os valores previstos de y serão sempre positivos. Sobre os processos de inferência utilizando o modelo de Poisson, ver Wooldridge (2006). 

O modelo estimado apresentou resultado bastante satisfatório. Quanto maior a parcela da população com acesso ao esgoto, menor é o número dias de afastamento por diarreia ou vômito. O acesso a água tratada também apresentou efeito positivo, contribuindo para diminuir a duração do afastamento. As demais variáveis de controle tiveram o sinal esperado e são estatisticamente significantes.

Tabela A.M.2
Dias de afastamento por diarreia ou vômito, Brasil, 2013

CoeficienteErro padrãop-valor
Acesso à água tratada-0,05940,0019-
Acesso à rede de esgoto-0,16810,0020-

Fonte: Pesquisa Nacional de Saúde 2013 (IBGE, 2015). Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

 

 

3.
Saneamento e atraso escolar

A análise dos efeitos do saneamento sobre o desempenho escolar partiu da variável dependente atraso escolar construída a partir da diferença entre os anos de estudo da pessoa e o ano que ela deveria estar cursando. Essa análise foi aplicada somente aos indivíduos em idade escolar. O banco de dados utilizado foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Continuada de 2016 e as variáveis de controle foram: (i) gênero; (ii) cor ou raça declarada; (iii) material das paredes; (iv) material da cobertura do domicílio; (v) sistema de coleta de lixo; (vi) unidade da Federação em que o indivíduo mora; (vii) área da moradia (rural ou urbana); e (viii) local de residência (capital, regiões metropolitanas ou interior).

O modelo econométrico utilizado foi um modelo do tipo Poisson. Esse tipo de modelo é usado quando a variável dependente é uma variável de contagem. Neste caso, a variável é o número de anos de atraso escolar. Essa técnica consiste em modelar o valor esperado como uma função exponencial de acordo com a equação a seguir:

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Como exp(.) é sempre positivo, a equação garante que os valores previstos de y serão sempre positivos. Sobre os processos de inferência utilizando o modelo de Poisson, ver Wooldridge (2006).

 

O modelo estimado apresentou resultado bastante satisfatório. Quanto maior a parcela da população com acesso ao esgoto, menor é o atraso escolar, ou seja, o acesso a esse serviço contribui positivamente no desempenho escolar. O acesso a água tratada também apresentou efeito positivo, contribuindo para diminuir o atraso escolar. As demais variáveis de controle tiveram o sinal esperado e são estatisticamente significantes.

Tabela A.M.3
Regressão de atraso escolar, Brasil, 2016

CoeficienteErro padrãop-valor
Acesso à água tratada-0,01110,00020,0000
Acesso à rede de esgoto-0,01510,00020,0000
Disponibilidade de banheiro-0,07310,00040,0000

Fonte: PNADC 2016 (IBGE, 2017). Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

 

 

4.
Saneamento e desempenho escolar

A análise dos efeitos do saneamento sobre o desempenho escolar partiu do cruzamento de informações de desempenho nas provas do ENEM 2016 com os dados de disponibilidade de banheiro na moradia e um conjunto amplo de indicadores socioeconômicos de controle. A população analisada tinha entre 15 e 29 anos de idade. O banco de dados utilizado nesta avaliação foi a base de microdados do ENEM 2016 fornecido pelo INEP. As variáveis de controle foram: (i) idade; (ii) gênero; (iii) cor ou raça; (iv) escolaridade do pai; (v) escolaridade da mãe; (vi) classe de rendimento familiar; (vii) disponibilidade de máquina de lavar roupa; e (viii) local de residência (capital, regiões metropolitanas ou interior). 

Os modelos econométricos utilizados foram equações lineares estimadas por MQO, em que as variáveis dependentes são as notas nas provas (Di) de: ciência naturais (CN), ciências humanas (CH), linguagens e códigos (LC), matemática (MT) e redação (RE). Também foi estimada uma regressão para a média das notas das cinco provas (média). A equação a seguir descreve o modelo estatístico.

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Os resultados da regressão são apresentados na Tabela A.M.4. Os modelos estimados apresentaram resultados bastante satisfatórios. Como esperado, a ausência de banheiro na moradia do candidato reduz suas notas em todas as provas do ENEM. A tabela também apresenta a interação entre o coeficiente associado ao gênero e os coeficientes associados à disponibilidade de banheiro na moradia do candidato. Com exceção da prova de matemática, em que a interação é positiva, ou seja, no grupo de mulheres a indisponibilidade de banheiro tem um efeito menor sobre a nota da prova, nas demais avaliações a indisponibilidade de banheiro tem efeito negativos maiores sobre as notas da provas para as mulheres.

Tabela A.M.4
Regressão de desempenho escolar, Brasil, 2016

Efeito parcial da existência de banheiro na moradiaCoeficienteErro padrãop-valor
Ciências naturais-1,84780,48830,0000
Ciências humanas-5,81680,50010,0000
Linguagens e códigos-4,47330,46960,0000
Matemática-4,61070,15150,0002
Redação0,72070,23070,0000
Média-6,26370,47600,0000
 
Interação do efeito parcial com o gênero femininoCoeficienteErro padrãop-valor
Ciências naturais-0,68650,63390,0000
Ciências humanas-1,16450,64930,0000
Linguagens e códigos-3,36680,60960,0000
Matemática4,15880,89420,0000
Redação-4,27971,36200,0000
Média-1,06770,61800,0000

Fonte: ENEM 2016 (INEP, 2017). Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

 

 

5.
Saneamento e produtividade

A análise dos efeitos do saneamento sobre a renda do trabalho partiu do cruzamento de informações de remuneração horária com os dados de acesso a esgoto, de acesso a água tratada, disponibilidade de banheiro na moradia e um conjunto amplo de indicadores socioeconômicos de controle. O banco de dados utilizado nesta avaliação foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Continuada de 2016. As variáveis de controle foram: (i) idade; (ii) idade ao quadrado; (iii) gênero; (iv) cor ou raça; (v) escolaridade; (vi) material da parede da moradia; (vii) material do telhado da moradia; (viii) sistema de coleta de lixo; (ix) unidade da Federação em que o indivíduo mora; (x) área da moradia (rural ou urbana); e (xi) local de residência (capital, regiões metropolitanas ou interior).

O modelo econométrico utilizado foi um modelo linear estimado MQO, em que a variável dependente, remuneração média horária, foi transformada em ln, para melhor adequação estatística (lny). A equação a seguir descreve o modelo estatístico.

Os resultados da regressão são apresentados na Tabela A.M.5. O modelo estimado apresentou resultados bastante satisfatórios. Quanto maior a parcela da população com acesso ao esgoto, maior é renda do trabalho. O acesso a água tratada também afeta positivamente a renda dos trabalhadores. A ausência de banheiro na moradia reduz em 21,7% a remuneração média horária esperada.

Tabela A.M.5
Regressão de produtividade, Brasil, 2016

CoeficienteErro padrãop-valor
Acesso à água tratada0,03140,00030,0000
Acesso à rede de esgoto0,06950,00030,0000
Disponibilidade de banheiro0,21500,00140,0000

Fonte: PNADC 2016 (IBGE, 2017). Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

 

 

6.
Fatores determinantes do acesso ao saneamento

A análise dos fatores determinantes do acesso ao saneamento partiu do cruzamento de informações de acesso a esgoto, de acesso a água tratada com indicadores socioeconômicos. Para calcular esses efeitos, foram empregados os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continuada de 2016 realizada pelo IBGE. Os indicadores socioeconômicos utilizados no modelo econométrico são: informações sobre os indivíduos: (i) gênero e (ii) faixa etária; (iii) cor ou raça declarada; (iv) nível de instrução; (v) classe de rendimento; e informações sobre o local do domicílio; (vi) unidade da Federação em que o indivíduo mora; (vi) área da moradia (rural ou urbana); e (vii) local de residência (capital, regiões metropolitanas ou interior). 

Utilizou-se um modelo de regressão logística em que as probabilidades de não ter acesso à água tratada ou ao serviço de coleta de esgoto são variáveis binárias com valores (1) para não ter acesso e (0) para ter acesso. O modelo de regressão logística é descrito pela equação a seguir:

Screen Shot 2018-11-27 at 11.15.20.png

em que, y representa a variável dependente (probabilidade de afastamento por diarreia), xj são as informações fornecidas pelo conjunto de variáveis explicativas, em que j = 1, 2,..., k são os coeficientes quantificando as relações entre estas variáveis e a variável dependente. G é uma função que assume valores estritamente positivos entre zero e um: 0 < G(z) < 1, para todos os números reais z. Isso garante que as probabilidades estimadas estejam estritamente entre zero e um.

 Os modelos estimados para analisar as probabilidades de não ter acesso à água tratada ou de não ter acesso ao serviço de coleta de esgoto apresentaram resultados bastante satisfatórios. Os coeficientes das principais variáveis explicativas empregadas para estimar as probabilidades são apresentados na Tabela A.M.6.

Table A.M.6
Regressões de probabilidades de não ter acesso à água tratada ou de não ter acesso ao serviço de coleta de esgoto, Brasil, 2016

 
Acesso inadequado à água - CoeficienteAcesso inadequado à água - Erro padrãoAcesso inadequado à água - p-valorAcesso inadequado à coleta de esgoto - CoeficienteAcesso inadequado à coleta de esgoto - Erro padrãoAcesso inadequado à coleta de esgoto - p-valor
Área urbana-2,47140,00060,00002,00010,00070,0000
Área capital-0,82330,00060,0000-1,21560,00060,0000
Demais municípios da RM0,62030,00060,0000-0,17950,00060,0000
Municípios em RIDE-0,05300,00240,00000,45540,00200,0000
Gênero masculino0,03340,00040,00000,04360,00040,0000
até 4 anos de idade0,20710,00150,00000,13110,00150,0000
de 5 a 14 anos de idade0,14310,00160,00000,32430,00170,0000
de 15 a 19 anos de idade0,20710,00160,00000,42780,00160,0000
de 20 a 29 anos de idade0,16630,00160,00000,36560,00160,0000
de 30 a 39 anos de idade0,17680,00150,00000,27560,00150,0000
de 40 a 59 anos de idade0,14920,00150,00000,14170,00160,0000
Raça Branca0,01930,02760,4851-0,91810,02350,0000
Raça Preta0,01910,02760,4885-0,77220,02350,0000
Raça Amarela-0,08530,02780,0022-1,22760,02380,0000
Raça Parda0,04850,02760,0790-0,73250,02350,0000
Raça Indígena-0,13180,02790,0000-0,73000,02380,0000
Sem instrução0,35420,00110,00000,65030,00110,0000
Fundamental Incompleto0,32710,00100,00000,55530,00090,0000
Fundamental completo0,21840,00110,00000,31210,00110,0000
Médio incompleto0,16440,00120,00000,34150,00120,0000
Médio completo0,11870,00090,00000,16710,00090,0000
Superior incompleto0,07840,00140,0000-0,01300,00130,0000
Classe de rendimento - 1º decil0,62570,00120,00000,99350,00120,0000
Classe de rendimento - 2º decil0,59230,00120,00000,71860,00110,0000
Classe de rendimento - 3º decil0,59220,00120,00000,61610,00110,0000
Classe de rendimento - 4º decil0,45650,00120,00000,51510,00110,0000
Classe de rendimento - 5º decil0,48800,00110,00000,50830,00110,0000
Classe de rendimento - 6º decil0,43450,00110,00000,45390,00110,0000
Classe de rendimento - 7º decil0,34500,00110,00000,32910,00110,0000
Classe de rendimento - 8º decil0,27500,00110,00000,25480,00110,0000
Classe de rendimento - 9º decil0,33240,00110,00000,18560,00110,0000

Fonte: PNADC 2016 (IBGE, 2017). Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.